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Mostrando postagens com o rótulo Brasil

Ainda Estou Aqui: o Oscar que ilumina a memória e resiste ao esquecimento

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A vitória do filme   “Ainda Estou Aqui”   no Oscar, como Melhor Filme Internacional, não é apenas uma conquista histórica para o cinema brasileiro. É um ato político. A obra, adaptada do livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, filho de Eunice Paiva e do deputado Rubens Paiva, vítima emblemática da ditadura militar, resgata uma narrativa de dor, resistência e luta contra o apagamento. Num momento em que setores da extrema-direita brasileira tentam reescrever a história, negando os crimes da ditadura (1964-1985), o reconhecimento internacional do filme é um recado poderoso: a arte não se cala diante do fascismo. A história do filme se entrelaça com a trajetória da família Paiva, cujo destino foi atravessado pelo golpe de 1964, financiado e apoiado pelos Estados Unidos. Como destacado pelo   Brasil 247 , o governo de João Goulart (Jango) foi derrubado não apenas por suas   “reformas de base” , mas também por sua   “política externa independente”,   que desafio...

A retomada do emprego formal no Brasil sob o 3º Governo Lula

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Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), consolidados entre 2023 e 2024, revelam um cenário promissor para o mercado de trabalho brasileiro:   2,1 milhões de empregos formais criados nesse período , segundo o Ministério do Trabalho e Emprego. Esse resultado, que inclui uma média mensal de 87,5 mil vagas com carteira assinada, reflete a recuperação econômica sustentada e a eficácia de políticas públicas focadas na geração de emprego, na reindustrialização e na redução das desigualdades regionais. Em 2023, primeiro ano do terceiro governo Lula, o país gerou  1,483 milhão de postos formais , o melhor desempenho desde 2010, excluindo o ano atípico de 2021 (pós-flexibilização da pandemia). Em 2024, apesar de um contexto global desacelerado, o Brasil manteve a trajetória positiva, com  618 mil vagas criadas apenas nos primeiros sete meses  (até julho), projetando um total anual próximo a 1 milhão. Tais números consolidam  uma reversão clara da...

O Pé-de-Meia é um acerto

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O Programa Pé-de-meia, instituído pela  Lei nº 14.818/2024  e regulamentado logo em seguida, nasceu com o objetivo de reduzir a evasão e promover a conclusão do ensino médio por estudantes de baixa renda. Ao criar uma espécie de  “poupança estudantil”,   o governo não apenas oferece um suporte financeiro direto, com incentivos que podem chegar a R$ 9.200 ao longo dos três anos da etapa, mas também estimula o aprendizado de gestão financeira e a inclusão social. Ele surgiu em um contexto de persistentes desigualdades no acesso à educação e altas taxas de abandono escolar, agravadas pela pandemia e por décadas de políticas insuficientes. Conforme relatos oficiais, o programa foi idealizado para enfrentar o fato de que meio milhão de jovens abandonavam o ensino médio para ajudar no orçamento familiar, um cenário que o presidente Lula descreveu como  “uma revolução”   ao afirmar: “O Pé-de-Meia é uma revolução, porque descobrimos que meio milhão de jovens desist...

Torturas, desaparecimentos, repressão e negacionismo: os riscos de uma ditadura bolsonarista

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No ano do cinquentenário do assassinato do jornalista judeu-brasileiro Vladimir Herzog pela ditadura militar brasileira, quando políticos descarados tentam aprovar uma anistia para os crimes do bolsonarismo, que tentou implantar uma nova ditadura em 8 de janeiro de 2023, é necessário refletir sobre os riscos reais de um regime ditatorial sob Bolsonaro. Há cinco décadas, o Brasil viveu os horrores de um regime que se valeu da tortura para silenciar a dissidência. Em obras como   Tortura Nunca Mais   e   Brasil: Nunca Mais , incontáveis relatos de vítimas – desde mulheres como   Amelinha Teles até militantes e opositores   – expõem a crueldade de torturadores como o   coronel Ustra   e o   delegado Fleury . Essas narrativas, registradas com rigor histórico e testemunhadas por sobreviventes, mostram um   passado de dor, onde métodos brutais, como descargas elétricas, espancamentos e outras torturas inimagináveis , marcaram a vida de milhares de ...

Contra a anistia para salvar a democracia

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Anistiar   (perdoar os crimes d) os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 não é, no mínimo, uma medida de justiça restaurativa – é um risco direto à manutenção do Estado Democrático de Direito. Nos debates recentes, renomados juristas e especialistas em Direito vêm apontando argumentos contundentes contra essa proposta, que, se aprovada, representaria não só um retrocesso jurídico, mas também   um incentivo perigoso à impunidade. Punição da tentativa de golpe como pilar da Democracia Um dos argumentos centrais é o de que a punição para a tentativa de golpe é indispensável. Afinal, se um golpe se efetivasse,   o país perderia os alicerces da ordem democrática e as instituições responsáveis pela proteção dos direitos fundamentais deixariam de existir.   Assim, ao não punir aqueles que tentaram derrubar a ordem constitucional, abre-se um precedente que pode comprometer a própria existência do Estado Democrático de Direito. Coerência constitucional e a proteção das...

Café caro mesmo com inflação mais baixa em janeiro: entenda tecnicamente o motivo

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O café, símbolo cultural e econômico do Brasil, está até no brasão das armas nacionais, enfrenta uma disparada de preços histórica. Em janeiro de 2025, o produto atingiu o maior valor em 28 anos, com a saca de 60 kg de arábica chegando a R$ 2.750 em algumas regiões.   Enquanto isso, o consumidor brasileiro viu o preço do pacote de 1 kg subir quase 50% em 12 meses.   Mas o que está por trás desse cenário? E por que outros alimentos também encareceram, mesmo com   a inflação geral de alimentos desacelerando para 0,96%   em janeiro, a menor desde a criação do Plano Real? 1. Clima adverso: o maior vilão das lavouras Os   eventos climáticos extremos   são o ponto de partida para entender a crise. Secas prolongadas e ondas de calor nos estados produtores (como Minas Gerais e São Paulo) prejudicaram a floração e o desenvolvimento dos grãos. Em 2024, a produção brasileira caiu para 54 milhões de sacas, contra 63 milhões em 2020. As plantas, sob estresse, “abortaram...

A prisão do general de Bolsonaro

Para que serve um general? Em tese, para liderar as forças armadas de seu país contra perigos externos, que ameacem o seu povo. Do que é acusado o general Braga Netto, ex-candidato a vice de Bolsonaro, preso hoje? De planejar: golpe de Estado, que mataria a liberdade democrática de sua própria Pátria, e o assassinato do presidente eleito Lula, do vice-presidente eleito Alckmin e do ministro-presidente da Justiça Eleitoral Alexandre de Morais. Em vez de defender a todos os brasileiros, independentemente da opção político-partidária destes, como é o dever de um general, Braga Netto preferiu atacar uma parte considerável dos seus próprios compatriotas, que elegeram Lula em 2022, mas que tinham escolhido Bolsonaro em 2018, como acontece nas democracias. O general teria praticado esses crimes porque não concordava em ter perdido a eleição presidencial? Obviamente, não se justifica. Na democracia, a guerra se resolve na política. Quem ganha, governa. Quem perde, vira oposição. Quatro anos de...